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Economia Crise

Brasileiros voltam à poupança e aos títulos públicos por segurança

Incerteza econômica causada pela pandemia do novo coronavírus fez aplicações na caderneta e nos títulos do Tesouro baterem recorde.

09/05/2020 11h02 Atualizada há 6 meses
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Por: D FRANZ EIRELI Fonte: R7
Bolsa de Valores de São Paulo, a BR. Foto: Luiz Prado/B3/Arquivo AG
Bolsa de Valores de São Paulo, a BR. Foto: Luiz Prado/B3/Arquivo AG

A pandemia do novo coronavírus fez com que os investidores brasileiros deixassem o interesse pela rentabilidade de lado e voltassem a buscar segurança em opções mais conservadoras, como a poupança e o Tesouro Direto.

De acordo com dados do BC (Banco Central), as aplicações na caderneta de poupança superaram os saques em R$ 30,459 bilhões em abril. Trata-se da maior captação líquida já registrada em um mês desde o início da série histórica iniciada em 1995.

A mesma movimentação é apontada pelo balanço mais recente do Tesouro Direto, referente a março. No período, as vendas de títulos públicos somaram R$ 3.018,7 bilhões e alcançaram o melhor resultado da história para o mês.

O volume de negócios é ainda 116% superior ao registrado em fevereiro e 27,5% maior do que número de março de 2019. Já o valor médio das operações realizadas ao longo do mês saltou para R$ 8.567,41, resultado 80% maior na comparação com fevereiro. Em relação ao mesmo período do ano passado, a alta foi de 65%.

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, explica que, em momentos de incerteza como o atual, os investidores com perfil mais conservador buscam apenas a preservação dos recursos. "Ele quer garantir o capital dele intocado", observa. E completa: "Os investidores reavaliam o total de ativos mais arriscados que têm, reduzem suas posições e vão para os menos arriscados."

O consultor financeiro Claudio Munhoz aponta o fator psicológico, que ganha força no momento de escolher em qual ativo aplicado em meio à pandemia. “As pessoas estão com medo do que vai acontecer. Isso faz com ele elas guardem um pedaço de tudo o que recebem ao invés de partirem para o consumo”, diz.

Munhoz atenta ainda que a liberação do auxílio emergencial de R$ 600 pode ter impulsionado o bom desempenho da caderneta no mês passado. “Bastante gente acabou não utilizando esse dinheiro e onde o brasileiro mais gosta de guardar é na poupança”, afirma o consultor financeiro. Ele destaca que a liberação dos recursos normalmente cai direto em uma conta-poupança.

Bolsa de Valores

A busca por mais segurança ocorre após o número total de investidores cadastrados na Bolsa de Valores mais do que dobrar em 2019, com o número de contas ativas passando de 813 mil para 1,67 milhão.

No acumulado do ano até sexta-feira (8), o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, acumula queda superior a 30%. "Pode ser também que as pessoas tiveram medo da Bolsa e migraram para ativos mais seguros”, avalia Munhoz.

De acordo com o consultor financeiro, a retomada dos investidores mais conservadores à renda variável vai depender do avanço do novo coronavírus no Brasil. "Se a pandemia acabar em um mês, os investimentos vão começar a ir para um ambiente de maior normalidade", explica.

Silveira, da Nova Futura, analisa que a crise atual ainda vai afetar o nível de emprego e manter a opção por ativos de menor risco em um primeiro momento. "Nós temos hipóteses de que a recuperação vai ser lenta e os agentes sigam conservadores com seus investimentos", aposta.

Para quem quiser aproveitar a queda das ações, o economista-chefe da Nova Futura explica que deve ser avaliado o prazo em que se deseja ter um retorno satisfatório. "Quem tem projeto de investimento de curto prazo deve ficar distante das ações, que dão mais retorno, mas têm volatilidade muito grande", orienta Silveira.

Ao classificar o mercado de renda como “cíclico”, Munhoz também vê o investimento em ações como uma boa aposta. "Quem tiver a oportunidade de entrar na Bolsa agora, eu acredito que até o final do ano ou meio de 2021 vai ter um bom rendimento", afirma o consultor.

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